Sentimental

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Perdas e Danos

Assim como algumas canções e bebidas, passei a evitar certos tipos de pessoas quando percebi o que poderiam provocar. Hoje eu vivo à margem, como um pedaço de coisa qualquer dissidente do seio seguro. Me especializei na arte de estancar sensações e vigiar lembranças presas em armários sem lugar. Vivo com o alerta automático de quem não paga mais pra ver um romance até o fim. Não mais, vale ressaltar.
Às vezes o amor de uma mulher funciona como uma bússola com defeito – não adianta tentar achar o norte. Por que ela vai fugir pelo caminho que quiser inventar quando não houver mais ímã e atração. E esse rompimento acontece o tempo todo, nas aparências das melhores fotografias e no brilho das alianças mais bem polidas. Foi assim com a pequena. Um belo dia lá estava ela esmurrando o volante do carro, os parafusos todos soltos da cabeça, o cabelo grudado no canto da boca. Nervosa, engasgando de raiva no próprio soluço para confessar segredos sem pé nem cabeça. A passagem marcada para Barcelona, um cara novo aí, vários pedidos de desculpas presos embaixo da língua. Choro. Muito choro derramado em cima de um projeto de fuga absurdo.
Quando a pequena me deixou eu preferi não entender. Primeiro porque eu tive medo da verdade completa e segundo porque a verdade completa jamais seria completa. Não lembro a meia dúzia de palavras que traduzimos um para o outro. Só sei que nenhum de nós dois soube responder qualquer pergunta. Preferimos selar a relação com citações musicais que dissessem alguma coisa do que fomos juntos. Colocamos a culpa do nosso fracasso como casal perfeito no timbre de voz do Morrissey e nas dores de cotovelo do Elvis Costello. E rimos – logo quando bateu a vontade mais insana e aguda de chorar novamente.
Não choveu e nem fez sol. E talvez essa indefinição tenha sido o pior. Eu disse um “tudo bem” rouco e segui por uma rua interminável sem olhar pra trás. Ela colocou os óculos escuros no rosto e matou qualquer expressão de fadiga com um sorriso torto sem expressão. Pensei em ir à igreja, pegar um táxi para o outro lado da cidade, me dopar com um coquetel de drogas farmacêuticas por dois dias inteiros e fugir do contexto. Mas nada disso aconteceu. Fiquei sentado no sofá da sala daquele apartamento durante muito tempo, olhando uma formiga solitária correr sem direção pela casa, como se ali fosse o verdadeiro olho do furacão. E talvez realmente fosse. Por que eu não aguentava mais silêncios brincalhões gritando sem nada acontecer ao redor. Esperei aquela sensação arrastada de velório impertinente passar como um vegetal que não sente, come ou dorme.
E até hoje eu espero, se quer saber.
A diferença é que aprendi a manipular meu próprio jogo para tocar o barco e não sair perdendo sempre. Dou de ombros, faço de conta, escondo cartas e sinais e mantenho a espinha ereta a maior parte do tempo. Ninguém me viu chorar outra vez porque não há mais nada de prático a ser feito. Tudo que sobrou se resume a um rastro familiar de poeira incômoda que volta e meia retorna por frestas e cantos oportunos sem ninguém notar – e não importa o quanto você mantenha sua vida em movimento. Fiz de tudo. Misturei ingredientes exóticos em relacionamentos extremos, entrei para a meditação, encarei estradas e aeroportos como um nômade, publiquei um romance, inventei o gosto por outro perfume, mudei o sentido da palavra amar. E… Nada.

Trinta e cinco meses e o rosto dela continua pregado como um pôster de cinema em uma parede imaginária dentro da minha cabeça. Não é carma, cisma ou obsessão. E não tem nada a ver com ela ser mais bonita, engraçada, esperta ou política e sexualmente mais engajada do que as outras mulheres. Sei lá. Tem haver com a capacidade que ela tem de modificar o que eu acabei de falar e pensar. Tem haver com ela simplesmente existir – agora em qualquer lugar por aí. E sem nenhuma possibilidade de repetição.
Às vezes eu queria ter a coragem dos suicidas ao invés de cultivar involuntariamente as mesmas sensações presas em labirintos fantasiosos. Parece exagero, mas é só a vontade breve do desapego. Eu acordo suado no meio da noite com dores de kriptonita e acredito em coisas que não existem mais. Sonhos que parecem cortados em carne viva, apenas mentiras quase reais. Aprendi que não há trégua nem perdão quando falamos de amor. Se você não consegue manter a chama acesa, mais cedo ou mais tarde o tempo te engole para algum lugar no esquecimento. É a regra da sobrevivência. Não importa o quanto você ainda sinta ou pensa que sente. Sei que tudo isso parece um pouco dramático e melindroso pra quem se diz tão livre e sem lugar, propenso a viradas de 360º a qualquer momento. Mas, as únicas pessoas que não têm medo de mudanças são aquelas que nunca experimentaram a surpresa de não ter mais para onde voltar. A saudade sempre bate na mesma hora que o cansaço. Vai por mim.
- Lucas Simões

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Não sei nada de você. Só que ainda provocamos faíscas raras um no outro.

É engraçado porque já nos desencontramos tanto por agir através desses impulsos inesperados, por viver sentimentos que não sabemos comportar no dicionário, por querer o mundo inteiro de uma vez só, por esse suor relatando ansiedade entre nossos dedos cruzados. E, hoje, no final de todas as contas e mais uma volta sacana do mundo, o que somos nós, afinal? Não somos amigos nem colegas, muito menos amantes ou namorados: somos só saudade. Saudade de um tempo que não sabemos em qual parte da história encaixar.

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Lucas Simões

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I hope you’re doing fine out there without me

‘Cause I’m not doing so good without you

Você, que eu fiz questão de afundar no lugar nais fundo do meu peito, me veio a tona dia desses e resolveu ficar por aqui,  assombrando meus sonhos e pensamentos  e tornando meus dias chuvosos e cinzentos.
Engraçado que apesar dessa agonia rítmica que me invade os dias, gosto  do conforto desses dias tristes, com você ao meu lado.
Sou como um pássaro que nasceu em cativeiro e cresceu dentro de uma gaiola. Você me alimentou, conversou comigo e me ouviu cantar. Eu aprendi a ver o mundo por entre as grades da gaiola e ele sempre me pareceu lindo porque você estava ali.
Os limites das grades nunca me incomodaram, pelo contrário, eram reconfortantes e eu me sentia completo com você ali.
Então um dia você se foi e eu fiquei.
Abriram a porta da gaiola e tentaram me fazer sair, voar pe lo céu, ver o mundo sem as grades que me cercavam.
Não consegui.
Então destruíram a gaiola e acharam que assim eu aprenderia a viver fora dela uma hora ou outra.
Ás vezes eu me arrisco a voar, ou cantar algo novo. Mas aí eu lembro de você, e então minhas asas perdem a força e minha voz emudece.
É engraçado que por mais que possa parecer o contrário, não quero as grades de volta.
O que me dói não é ter acabado, é como acabou.  Estragando todos os momentos bonitos que vivemos juntos e escondendo-os bem fundos em algum lugar da sua memória.  Só sobrando o seu ódio e aversão por mim, e minha vontade de explicar que não é bem assim.
É como um fantasma que me assola sempre que a noite cai. É como se alguém tivesse arrancado uma página do meu livro favorito e a jogado fora,e não vendesse mais desse livro em lugar nenhum.
É como aquela frase do Caio Fernando Abreu: “Alguma coisa sempre faz falta”. Dinheiro, amor, paz, saúde.
No meu caso, você.

- Bárbara Rossalli


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